Introdução
« Não está assente em nada », « é virtual », « é puro vento »: é a objeção número um à crypto, e é uma boa pergunta. Para lhe responder a sério, é preciso voltar a uma pergunta mais antiga: o que dá valor a uma moeda, seja ela qual for? Quando tiveres percebido isso, o valor do Bitcoin torna-se muito mais claro — sem hype e sem promessa de ganho.
Primeiro, o que é o valor de uma moeda?
Pega numa nota de 20 €. Em si, é um pedaço de papel que não vale nada: não a podes comer nem vestir. Ainda assim, podes trocá-la por uma refeição ou um livro. Porquê? Porque toda a gente à tua volta aceita fazer o mesmo. O valor de uma moeda não vem do objeto, mas do acordo coletivo de a usar.
Uma moeda serve para três coisas: trocar (pagar), medir (mostrar um preço) e guardar (pôr de lado para mais tarde). O que a sustenta é uma mistura de confiança, de uso partilhado e de escassez. Tira um destes ingredientes e a moeda vacila: é o que acontece nas grandes inflações, quando se imprimem notas a mais e cada um tem demasiadas — perdem o seu valor.
O valor é como uma língua
O português só tem valor porque milhões de pessoas o usam. Sozinho, não serve para nada; partilhado, permite tudo. Uma moeda é igual: a sua força vem do número de pessoas que a aceitam, não da matéria de que é feita.
O euro tem valor porque está assente no ouro guardado no banco central.
Na realidade : Já não, há muito tempo. Como quase todas as moedas modernas, o euro não está assente em nenhum metal: o seu valor assenta na confiança nas instituições, no facto de pagarmos os impostos com ele, e no uso de centenas de milhões de pessoas. « Assente em nada de físico » é a norma, não a exceção.
Uma mini-história da moeda
Bem no início, fazia-se troca direta: três galinhas por um saco de trigo. Problema: era preciso que o outro quisesse justamente as tuas galinhas no momento em que tu querias o trigo dele. Complicado. Os humanos procuraram então um objeto intermédio que toda a gente aceitasse — uma « moeda ».
Muitas coisas serviram de moeda: conchas, sal, contas, gado. Depois os metais preciosos, sobretudo o ouro, impuseram-se quase em todo o lado. Não por acaso: o ouro é raro, não enferruja, divide-se, transporta-se e reconhece-se facilmente. Vieram a seguir as notas (mais práticas do que andar a carregar ouro), e por fim o dinheiro digital do teu banco — os números na tua conta, em que nunca chegas a tocar.
A lição desta história: a forma da moeda muda o tempo todo (concha, ouro, nota, números num ecrã), mas as qualidades que fazem uma boa moeda não mudam.
O que faz uma boa moeda
Se o ouro venceu durante milénios, foi porque reunia várias qualidades. São as mesmas que se podem verificar em qualquer moeda, ontem como hoje. Tem-nas em mente: são a chave para julgar o Bitcoin já a seguir.
- Raro: não se pode criar à vontade, senão perde o seu valor.
- Durável: não se estraga com o tempo.
- Divisível: tanto se pode pagar um café como uma casa.
- Transportável: fácil de deslocar e de enviar.
- Verificável: difícil de falsificar, fácil de autenticar.
O ponto fraco de cada moeda
O ouro é raro e durável, mas pesado e difícil de enviar para o outro lado do mundo. As notas são práticas e divisíveis, mas podem imprimir-se sem limite. Cada moeda é um compromisso entre estas qualidades — nenhuma era perfeita… até que se tentou reunir tudo em formato digital.
Porque é que o Bitcoin marca as casas
O Bitcoin foi concebido para reunir estas qualidades no mundo digital. A sua grande inovação é a escassez: o seu código nunca permitirá mais de 21 milhões de unidades, e ninguém — nenhuma empresa, nenhum Estado — pode criar mais. É a primeira vez que se obtém uma escassez verificável em algo digital, que habitualmente se copia ao infinito. (Como é que a rede garante isto, vais ver no módulo sobre a blockchain.)
Quanto ao resto, o Bitcoin está muito bem equipado: divisível (um bitcoin divide-se em 100 milhões de pequenas unidades, os « satoshis »), transportável (podes enviar para o outro lado do mundo em poucos minutos), durável (a rede funciona sem interrupção desde 2009) e verificável (qualquer pessoa pode controlar cada unidade). É por isso que muitas vezes lhe chamam « ouro digital ».
Eis a verdadeira resposta a « é puro vento »: o Bitcoin não é mágico, mas possui as mesmas qualidades que as moedas que atravessaram a história — com uma escassez ainda mais rígida do que a do ouro. O seu valor não sai do nada: vem destas propriedades, combinadas com a confiança e o uso de mais de 100 milhões de pessoas.
Ouro que se poderia enviar por mensagem
Imagina ouro que tivesse todas as qualidades do metal — raro, durável, reconhecível — mas que se pudesse enviar tão facilmente como uma mensagem, e cuja autenticidade se pudesse verificar em poucos segundos. É a ideia por detrás de « ouro digital ».
A crypto não está assente em nada, por isso não vale nada.
Na realidade : « Assente em nada de físico » também é o caso do euro e do dólar. O valor do Bitcoin vem das suas propriedades (escassez rígida, durabilidade, verificabilidade) e do número de pessoas que o usam — exatamente como nas outras moedas, o ouro incluído.
Valor não é preço: mantém a lucidez
Atenção a não misturar tudo. Ter valor não quer dizer que o preço só sobe. O valor vem das propriedades que acabámos de ver; o preço, esse, é fixado todos os dias pela oferta e pela procura — e pode ser muito volátil, subir e descer fortemente.
Uma escassez programada não garante, portanto, nenhum ganho: é uma qualidade da moeda, não uma promessa de rendimento. É exatamente por isso que a forma de investir conta tanto como a escolha do ativo — falamos disso no módulo Investir sem medo. Perceber porque é que o Bitcoin tem valor é a base; manter a cabeça fria sobre o preço é o passo seguinte.
Para reter numa frase
O Bitcoin tem valor porque reúne as qualidades de uma boa moeda em formato digital raro — mas o seu preço continua volátil, e nada garante que suba. Valor não é preço.
Passar de « perceber » a « ter um pouco »
A melhor forma de perceber mesmo tudo isto é ter uma pequena quantidade e observar. Não é preciso uma quantia grande: alguns euros chegam para passar da teoria à experiência, sem stress. Não compras para « ficar rico » — compras para perceber por dentro aquilo que acabaste de aprender.
Tem a tua primeira fração de Bitcoin
Com a Deblock, podes comprar uma pequena fração de Bitcoin em poucos minutos, a partir de alguns euros, num enquadramento regulado e sem jargão. Começa pequeno, guarda a longo prazo, e deixa o tempo ensinar-te o resto.
Abrir a minha conta DeblockO que reter
- 01O valor de uma moeda não vem do objeto, mas da sua escassez, da confiança e do uso partilhado.
- 02Nenhuma moeda moderna (o euro incluído) está assente num metal: « assente em nada de físico » é a norma.
- 03O Bitcoin reúne as qualidades de uma boa moeda em formato digital, com uma escassez rígida (21 milhões no máximo): daí « ouro digital ».
- 04Valor não é preço: a escassez não garante nenhum ganho, e o preço continua volátil.
Pronto para praticar?
Abre a tua conta Deblock em minutos e aplica o que acabaste de aprender.
